21 de ago de 2010

Um dia de cada vez

Se ainda há algo q prezo a todo custo é a Liberdade. Procuro-a nos atos mais estranhos; em algumas relações marginalizadas; nos livros mais gastos; nas opiniões mais controversas; na janela de casa e na porta para a rua; nas amizades...


É algo do qual ainda não consegui me desvencilhar, a ponto de exprimir um certo egocentrismo – q, cabe frisar, é diferente de egoísmo – e, obviamente, influenciar a vida de quem está na órbita desse centro. De fato, isso acontece:

Quero fazer minhas coisas, viver minha vida, concluir meus planos, às vezes não fazer planos e apenas aproveitar os dias e o imprevisto sem dever muitas satisfações nem me sentir em um livro de Orwell.
E essas coisas nunca estão de acordo com a ideia de compromisso, e é ainda mais divergente quando consideramos as convenções burguesas a respeito daquilo q devemos ser-estar, ter, sonhar, fazer e etecê!

Ninguém, por ex.:, vai acreditar naquela "solterona" q disse estar assim por opção. É mais fácil taxá-la de "titia", de tímida, mal amada, quando não "sapata" - desculpem o termo, mas é assim mesmo q acontece por aí. Obviamente, o mesmo aconteceria a um homem, só trocaríamos o gênero dos adjetivos...

Mas, afinal, por q é tão difícil aceitar uma diferença; uma postura fora do trivial; a felicidade alheia?
Aliás, por q é difícil não cuidar da vida alheia?

A Li e eu conversamos bastante sobre isso. Ela tem sonhos baseados em um estilo de vida social padrão: família, filhos, uma casinha amarela...E eu sem sequer pensar nessas coisas neste momento. Não escondemos um do outro essas visões, e embora saibamos q temos de repensar um relacionamento em q as pretensões não casam (termo ambíguo...valem os dois...rs), continuamos a viver o agora, compartilhar o agora - cada um de nós reaprendendo a respeitar o espaço do outro, fato q, não vamos negar, é difícil.
Mas por q não?

Ela, em uma dessas conversas pós-crise namorística, depois de eu ter exposto a minha atual não-ansiedade em ...em...palavra difícil...rs...mas vá lá...em casar (falei!), e q seria melhor nos afastarmos e cada um seguir seus sonhos, disse a coisa mais bela q ouvi nesse 2 anos juntos:
 - Nesse momento, é mais importante pra mim estar com você do q outra coisa futura.
Foi lindo.
Isso não significou q ela se submeteu à minha postura, ou eu fui egoísta a ponto de não pensar na dela. O fato é q compreendemos: cada um tem seus princípios e limites. Q compartilhar o presente, através do respeito e da confiança é o essencial.

Embora eu saiba q ela ainda manifesta aquela vontade, e ela também saiba q eu continuo com as minhas convicções, também entendemos q essa não uma questão tão simples em q basta um de nós dizer sim e tudo estará resolvido.

Embora não saibamos o q isso vai virar no futuro, ficamos juntos, confiando, principalmente, no amor do outro. Respeitando o valor e valores do outro.Vivendo um dia de cada vez em 2010, e não em 1984.

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