29 de dez. de 2010

Anedota


Um dia, os orgãos do corpo disputavam para ver quem seria o Grande-Chefe do corpo.

O coração falou: eu serei, pois envio sangue para vcs todos e sem mim o corpo não vive. O cérebro retrucou: Eu é q serei, pois se eu parar aí sim é que se considerará morte. Você, coração, ainda pode ser transplantado. O rim também brigou: Eu q quero ser o Grande-Chefe do corpo, pois se eu não eliminar a água do corpo, já viu né, o q acontece!!
Aí o Cu resolveu falar: Ah não, eu q mereço ser. Então todos riram, dizendo: “Ah tá, justo quem faz mais merda quer ser o Grande-Chefe do corpo, hahaha”

O Cu ficou revoltado e resolveu se vingar. Ficou trancado por um mês, as fezes foram se acumulando e o cheiro ficando insuportável, até q os outros cederam: “Tá bom, você será o Grande-Chefe do corpo".

Desde então, todo cusão é chefe!
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12 de dez. de 2010

Finalmente férias!




É agora q teremos tempo para nos mesmos, para cumprir deveres além daqueles da faculdade. Não há peso. Não há crime. Só a sensação de liberdade - provisória, mas existe – das obrigações curriculares.

Estranho falar isso: “obrigações curriculares” - porque, acho eu, não deveria ser. Não deveria haver obrigação quando se faz aquilo q se gosta. Mas há. E se há, há um problema aí.
Ou ali – na faculdade.

Mas deixemos isso pra depois...


Não quero interromper minha água de coco.

2 de dez. de 2010

Longi-tudo



Longi-tudo

Meço à distância

essa saudade desmedida
q o verso curto não alcança
e, ainda assim, arre-
                               messo.
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26 de nov. de 2010

Dois: ah...humm




ela
deli
ciosa

ele
dela
cioso


ela
nua
boa

ele
nu
bem bom


(FALEIROS, Álvaro. in Meio Mundo, São Paulo: Ateliê Eitorial, 2007)
.
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21 de nov. de 2010

P.A do invisível


Pela rua, passa a roupa.
Passa a moça, passa o ruge.
Passa o terno e a gravata.
Passa gato, passa cão.
Passa puta ignorada.
Passa a mãe, passa o pai. Passa o pão na mão da mãe.
Passa toda a meninada.
O poder passa.
Passa chefe e a patroa
O olho alheio (quando passa).
Passa mesmo. Até o nada.
O gari, coitado, para.

Conta:
(1; 2; 3;...n; n+1;
nenhum)

...[...]...

Um olá não passa.
Um sorriso não passa.
Um bom dia não passa.

O gari passa o dia

varrendo o feno
na cidade fantasma.

(in Colírio)
.
.

13 de nov. de 2010

O canto da ilha reconhecida


Aqui, neste quase,
habitado por um meio/corpo
(enquanto o inteiro é metade)
o pouso, o desembarque
são poucos.

E os que vêm a repouso
nem chegam a ficar.
Ficam à esquerda, com seus tapa-olhos
a piratear um gesto
pra cá e pra              lá.

Afirmam o desequilíbrio
desta ponte entre mim,
sem saber que partem

deste porto

para o mesmo não-lugar

emerso em parte alguma
imerso em uma lacuna

                                               insular.


(Israel, in Colírio - livro inédito)

11 de nov. de 2010

Claudia Roquette-Pinto

Claudia Roquette-Pinto

Sítio

O morro está pegando fogo.
O ar incômodo, grosso,
faz do menor movimento um esforço,
como andar sob outra atmosfera,
entre panos úmidos, mudos,
num caldo sujo de claras em neve.
Os carros, no viaduto,
engatam sua centopéia:
olhos acesos, suor de diesel,
ruído motor, desespero surdo.
O sol devia estar se pondo, agora
_ mas como confirmar sua trajetória
debaixo desta cúpula de pó,
este céu invertido?
Olhar o mar não traz nenhum consolo
(se ele é um cachorro imenso, trêmulo,
vomitando uma espuma de bile,
e vem acabar de morrer na nossa porta).
Uma penugem antagonista
deitou nas folhas dos crisântemos
e vai escurecendo, dia a dia,
os olhos das margaridas,
o coração das rosas.
De madrugada,
muda na caixa refrigerada,
a carga de agulhas cai queimando
tímpanos, pálpebras:
O menino brincando na varanda.
Dizem que ele não percebeu.
De que outro modo poderia ainda
ter virado o rosto: - Pai!
acho que um bicho me mordeu! assim
que a bala varou sua cabeça?

ROQUETTE-PINTO, Claudia. Margem de Manobra. Rio de Janeiro: Editora Aeroplano, 2005.

1 de nov. de 2010

SONETO SIMÉTRICO II

Paulo Henriques Britto

Tão limitado, estar aqui e agora,
dentro de si, sem poder ir embora,

dentro de um espaço mínimo que mal
se consegue explorar, esse minúsculo
mpério sem território, Macau

sempre à mercê do latejar de um músculo.
Ame-o ou deixe-o? Sim: porém amar
por falta de opção (a outra é o asco).
Que além das suas bordas há um mar

infenso a toda nau exploratória,
imune mesmo ao mais ousado Vasco.
Porque nenhum descobridor na história

(e algum tentou?) jamais se desprendeu
do cais úmido e ínfimo do eu.
.
.

23 de out. de 2010

De cangorra e outros brinquedos


Não suporto a hipocrisia das hiper-feministas q acham q ser mulher acarreta ser anti-homem e cometem o raso, pífio e ridículo equívoco de fazer do feminismo uma versão simplesmente oposta ao q elas mesmas abominam – o machismo. Na boa, mulher de bolas não dá!

Talvez pelo exacerbado sentimento de conquistar além de seu espaço e contrariar uma voz dominante dos séculos passados – de sociedade patriarcal –, haja um grito de repulsa q, mais q buscar a ampliação de um território, anseia a invasão do outro, quase a extinção do outro.

É compreensível esse fator: a ideia de “revanche” em cima do processo histórico q inegavelmente anulou a participação feminina em campos diversos da formação humana (ciências, artes, política); em cima de uma ética (com colaboração de doutrinas religiosas) q reduziu o papel da mulher à submissão ao homem, travestida por exemplo em uma instituição hoje falida como o casamento, em q, enquanto a noiva terá um marido - a função social do homem -, este não terá uma esposa, mas sim uma...como é mesmo a frase?: marido e...mulher, isso! terá a MULHER.

Sim, é compreensível q se queira uma voz, um lugar - não há problema algum, pelo contrário, todos têm direito ao espaço. Mas entre querer uma voz, um lugar e querer “A” voz, “O” lugar, há um abismo notável, pois sugere mais autoritarismo q autonomia. É como a briga das crianças ciumentas quando ganham brinquedo novo: esse é meu – só meu!

Há aquelas q se autointitulam 'mente aberta' e revolucionária, mas lá no fundo – na plantação de alface q guardam no lugar do cérebro - acham, por exemplo, impossível q um homem queira amizade com uma mulher. Limitam-se a 'pensar' q todo cara q se aproxima delas é na exclusiva intenção de comê-las. (é a mesma coisa do machão suado e fedido q acredita q toda mulher quer dar pra ele).

Ah, meu, “vou escrever em letras grandes pelos muros do país”: ABAIXO AO SEXISMO!
Detesto!

O feminismo exacerbado é a mesma coisa q o machismo: expressão de uma pessoa insegura de si mesma e da sua relação com o mundo, q, na tentativa de compensar uma fragilidade sua, procura se impor com um discurso fajuto de argumentos quase sempre radicais. É o tipo de mulher q não sabe fazer bom uso da liberdade q outras mulheres mais dignas conseguiram por ela no passado.
Como disse: mulher de bolas não dá! Pra você, do sexo feminino, entender o q digo: uma mulher de bolas é para nós, homens, o q um homem bundão é para vocês.

Prefiro a mulher q sabe ser mulher. Q sabe ser, mais feminina q feminista, q sabe buscar sua independência sem forjar uma superioridade.
Acho q toda mulher e todo homem deveriam se pensar em relação ao outro e não no lugar de.


Um beijo a todas minhas amigas de verdade, q sabem ser mulher – de verdade!

10 de out. de 2010

A casa do tempo perdido (Drummond)


Bati no portão do tempo perdido, ninguém atendeu.
Bati segunda vez e mais outra e mais outra.
Resposta nenhuma.

A casa do tempo perdido está coberta de hera
pela metade; a outra metade são cinzas.
Casa onde não mora ninguém, e eu batendo e chamando pela dor de chamar e não ser escutado.

Simplesmente bater. O eco devolve minha
ânsia de entreabrir esses paços gelados.
A noite e o dia se confundem no esperar,
no bater e bater.

O tempo perdido certamente não existe.
É o casarão vazio e condenado.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Farewell. Rio de Janeiro : Record, 1996.