Não é novidade dizer q o hábito leitura não faz parte da cultura brasileira. Segundo dados do MinC, lemos 1,8 livros por ano – número extremamente baixo, sobretudo se comparado aos de outros países: França (07 livros/ano); EUA (11 livros/ano); a Colômbia (2,4 livros/ano).
As desculpas são várias. Umas válidas, outras nem tanto. Dentre o motivos, incluem-se a ausência de biblioteca nas cidades; falta de apoio nas escolas, que encaram a leitura como obrigatoriedade; alto índice de analfabetismo; escolaridade baixa; renda insuficiente; e a mais esfarrapada: livros estão caros.
Nesse fim de semana, com R$30 comprei 04 livros em sebos – e tive troco – dentre os quais Drummond ($7), Machado ($5), João Antônio ($5) e Haruki Murakami – mais recente – a $10. Duvidam? Entrem no
estante virtual. Com os 3 de troco comprei uma Coca-cola (cara pra caramba, quase um livro), me arrependi, devia ter comprado uma água – duas, com 3 pilas - mas é q, com calor infernal que faz em Sampa, a gente não raciocina bem.
Assim sendo, a não ser q se considere o objeto livro mais importante q o texto escrito nele, a ponto de só negar o usado em detrimento de um novo, dizer q não lê porque o livro é caro é equiparável ao “ônibus quebrou” da desculpa ao seu patrão.
Não é mentira q o mercado editorial pega pesado nos preços – o Estado também não colabora: o livro é sobretaxado demais. Mas, é bem estranho ouvir aquela desculpa se, para continuar com índices e pesquisas, no Brasil gasta-se
U$$ 42 por mês com celular , o q a meu ver indica q a fator dinheiro não é tão significativo assim.
O fato é q preferimos passar horas em frente à novela da tevê, o filme no cinema (nem sempre de boa qualidade), ou ouvindo música a “perder” horas lendo um Dostoiévski, um Cony, João Ubaldo ou mesmo um Dan Brown e etc. (a discussão sobre best-sellers fica pra outra postagem..).
Se atentarmos para a situação da poesia então...uhmm...é bem difícil. Não bastasse a Literatura como um todo estar for dos costumes tupiniquins, a poesia tem um lugar específico dentro dessa exterioridade.
É um gênero literário que demanda certo conhecimento da tradição poética, dos percursos por ela percorridos, os valores de cada época para então se aprender a ler poesia. Caso contrário, o q se terá será a estranheza a cada poema lido.
Lembro-me, por exemplo, de q eu não entendia porq q, sendo “tudo poemas”, Camões escrevia tão diferente de Bandeira. Por q que em Olavo Bilac, os sonetos eram fechadinhos e em Drummond sequer havia rima no fim do verso; e por q q Bocage falava tanto em relva, pastores, ventos tenros, mas Camões não, se os dois compunham sonetos. Isso me fez prejulgar os poetas e embutir valores anacrônicos a cada um. Resultado: deixei de ler muita gente boa.
É q, além disso, ler um poema demanda um pouco mais que apenas vontade. Requer disponibilidade e paciência. Não é na primeira leitura q se entende esse texto – e ninguém garante q será na décima, décima-primeira...
O poema desafia: A decifração das imagens, o reconhecimento dos artifícios linguísticos, a associação a nossa própria vida. É um tipo de desafio q espanta aqueles q preferem a facilidade de uma telenovela, por exemplo, q, vá lá, não exige quase nada de seu expectador, além de ter visão e audição. E, no ambiente socioeconômico em q vivemos, no qual toda atitude deve gerar um produto imediato que supere a perda de tempo e, se possível, dê lucros, a leitura q não cumpre esse papel é descartada. Sobretudo se for aquela q é encarada como um “enigma”.
Se eu posso ver o filme Ensaio sobre a Cegueira, em vez de ler o livro, por q não? se eu posso trocar o fácil pelo difícil, pra que optar pela “pulga atrás da orelha?”.
Até porq, como diria Paul Valéry, “nos sentimos mais confortáveis ao negar a dúvida”.
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